Apesar do apelo público do presidente Jair Bolsonaro para que os motoristas não fizessem a paralisação, o Conselho Nacional de Transportes Rodoviários de Cargas (CNTRC) enviou um ofício ao governo confirmando o movimento para segunda, dia 1 de fevereiro, caso os pedidos da categoria não sejam atendidos. A entidade diz ter 40 mil afiliados em 22 estados brasileiros.

Outro apoio confirmado para paralisação de segunda é da Associação Nacional de Transporte do Brasil (ANTB). O presidente da entidade, Jose Roberto Stringascida, explica que a política de preço dos combustíveis é um dos pontos que motivam a reivindicação da categoria. “O reajuste no preço [do combustível] precisa ser no mínimo a cada seis meses. O ajuste semanal torna impossível o trabalho dos caminhoneiros”, disse.

Petroleiros

É grande o descontentamento da categoria com o presidente da extrema direita que ajudou a eleger. Os motoristas receberam o apoio dos petroleiros, que planejam manifestações de solidariedade aos grevistas na segunda-feira.

O movimento também ganhou maior força na terça-feira (26) com a adesão de novos líderes após o anúncio pela direção da Petrobras de um novo aumento nos preços do óleo diesel e da gasolina, justificados pela depreciação do real.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), uma das principais entidades da categoria no país, anunciou na terça-feira (26) sua adesão ao movimento de greve nacional dos caminhoneiros, prevista para começar na próxima segunda-feira (1º), sob liderança de grupos como a Associação Nacional do Transporte Autônomo do Brasil (ANTB) e do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC).

Em comunicado, a CNTTL, que diz ter 800 mil motoristas em sua base, acusou o governo de Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF) de “insensibilidade” em relação às reivindicações do setor, como a revisão do reajuste na tabela de frete mínimo e a aprovação da constitucionalidade desse recurso. Criada durante o mandato do ex-presidente Michel Temer após a última paralisação dos profissionais do segmento, em maio de 2018, a tabela tem enfrentado oposição do setor produtivo até hoje, e uma disputa sobre sua legalidade segue parada no STF.

“Lamentável o reajuste da Tabela do Piso Mínimo de Frete, realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)”, declarou o porta-voz da confederação, Carlos Alberto Litti Dahmer, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sinditac) de Ijuí (RS) e vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). “Tivemos um reajuste de 2,51% que é ínfimo. Só para se ter ideia o preço do pneu teve aumento nos últimos três meses de mais de 60%, seja nacional ou importado”, acrescentou.

“Hoje temos um piso mínimo da fome. Vamos dar um basta nisso. Vamos cruzar os braços no dia 1º”, assegurou Dahmer, garantindo que a confederação orientará seus motoristas associados a aderir à greve.

Na quarta (27), Jair Bolsonaro pediu à categoria que não interrompa suas atividades. “Apelamos para eles que não façam greve”, afirmou o mandatário, após reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmando que o governo pretende reduzir impostos PIS/Cofins sobre o diesel, outra demanda do segmento.

Entre as reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras do ramo destaca-se a mudança da política de preços imposta pela direção da empresa desde o golpe de 2016. Ela esbarra no dogmatismo neoliberal de Paulo Guedes e equipe, que inclui os dirigentes da estatal, mas torna inevitável o acirramento dos ânimos entre os caminhoneiros.

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